|| O CAMINHAR DA CONSTRUÇÃO RUMO AO DESEMPENHO
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O CAMINHAR DA CONSTRUÇÃO RUMO AO DESEMPENHO

O CAMINHAR DA CONSTRUÇÃO RUMO AO DESEMPENHO

O caminhar da construção rumo ao desempenho.

É sabido que o caminhar para elaboração de novas normas na construção civil é moroso, já que históricos apontam os primeiros passos em 1980, com a formulação dos critérios mínimos para avaliação de desempenho de habitações (BNH), e somente nos anos 2000 temos um novo marco a considerar – o início dos trabalhos para a elaboração da norma NBR 15.575 Desempenho das Edificações – com aprovação para exigibilidade somente para Julho/2013. Mas assim como o caminhar desequilibrado de uma criança quando começa a dar os primeiros passos, também temos que avaliar esse avanço dado na construção civil com um olhar mais atento, analisando possíveis deslizes que podem comprometer o caminhar prudente e adequado rumo ao desempenho satisfatório.

O desempenho, em seu conceito mais abrangente e simples no ramo da engenharia civil, é dado como a competência e/ou eficiência do conjunto de elementos que compõe uma edificação e, entende-se por elementos, o projeto, matérias, produtos, execução, utilização e manutenção da obra. Resta verificado, então, um leque para o desenvolvimento normativo no país no que tange ao desempenho: o direcionamento, a referência em avaliações, o estimo tecnológico, bem como requisitos e critérios mínimos. Sendo assim, como o tópico a ser normatizado é vasto e ainda se segmenta, são encontradas lacunas a serem preenchidas que, se suplementadas indevidamente (posto que se há lacunas pressupõem-se que não foi estabelecido um padrão a ser seguido), podem ocasionar pequenos tropeços.

A norma expressa os cuidados na forma de execução, apresentando critérios para avaliação de projetos e parâmetros a serem seguidos. Mas uma vez dada a indicação da vida útil de um projeto e a sua durabilidade, abrem-se precedentes a questionamentos já que que os materiais e serviços trabalham em conjunto no intuito de proporcionar a durabilidade da obra completa. Para exemplificar, temos na Tabela C.5 – Vida Útil de Projeto Mínima e Superior (VUP) da Norma, a vida útil da cobertura como ≥ 20 anos, e finalizando a vida útil da cobertura, os outros sistemas, como a estrutura, ficam expostos o que pode acarretar a redução da vida útil, que deveria ser ≥ 50 anos. A Norma estabelece que o funcionamento de um subsistema depende da substituição de componentes que se desgastam em menor tempo que a vida útil do sistema, mas não informa que findo o tempo hábil da vida útil do sistema é necessária a recomposição total do mesmo, não apenas a manutenção, mas a troca.

É importante que o projetista, o engenheiro e a construtora façam uma análise criteriosa dos produtos que serão usados e dos serviços a serem executados, objetivando garantir que a vida útil do sistema construtivo esteja automaticamente vinculada à vida útil de outro sistema. Ressalva-se a importância em atentar-se que, para o desempenho adequado e duradouro de uma edificação, é necessário que todos os elementos de interferência direta, a qualidade e a duração trabalhem simultaneamente. E, ainda, insta salientar que é do responsável técnico a correta transferência de obra, apresentando aos clientes finais a rotina de manutenções, sendo esta considerada um dos itens fundamentais da norma.

Pós Graduada em Engenharia Diagnostica Graduada em Engenharia Civil pela universidade Izabela Hendrix e Técnica em Edificações pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais.

Eng. Priscila Welltten